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Influências do pós-colonialismo na produção de autores regionais


Professor pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), doutor em literaturas e línguas, Miguel Nenevé também é autor de vários livros que carregam em sua espinha dorsal as influências de uma corrente de pensamento denominada “Teoria Pós-colonialista”. Durante entrevista à Revista CorrenTza, Nenevé destacou os vários aspectos que definem essa teoria e suas abordagens.


Para o professor/escritor, há uma interferência natural nos processos de constituição de textos em função das leituras realizas. Segundo ele, quando se estar compondo, prosa ou narrativa, muitas imagens de contextos de leituras anteriores surgem para o autor. “Quando você escolhe uma epígrafe você acaba associando ao que você quer desenvolver no poema. E não há como se ausentar dessas interferências. Elas vão ocorrer sempre”, explica.

Miguel Nenevé também faz ressalva a atitude pós-colonialista marcada nos textos de autores que bebem dessa corrente. E ele explica que as obras desses autores propõem ao leitor uma discussão sobre diversas temáticas. “Essa forma de escrita é, de certa forma, uma atitude pós-colonialista”, define.


Miguel Nenevé também destaca sobre a realidade da cultura regional alertando para as dificuldades de conceituação mais simples. “Faz pouco tem­po falava-se que a cultu­ra do brasileiro é de tal forma, jeito ou maneira. Mas, vou falar de cultu­ra pela sua possibilidade de origem, do latin, que se diz colere, que signifi­ca colher. Portanto, o que cultivamos aqui na região e como isso é visível, se propaga e se desenvolve. Eu não nasci aqui, mas já estou a algum tempo. E, o que percebemos é uma evolução muito grande. As pessoas chegam de vários lugares. Assim, há um cultivo de tradições bem diferentes.


Ao falar de suas preocupações no que diz respeito à forma de compreensão regional, Miguel Nenevé explica que uma das questões de maior relevância é o fator pensamento pós-colonial definindo aquilo que é bom como sendo tudo o que vem de fora da região. “Isso evita que você, em sua cidade, deixe de valorizar o que você tem. Às vezes falo para mim mesmo que de­veria prestar mais aten­ção ao que temos aqui. Existem muitas coisas acontecendo aqui e não percebemos em função dessa ideia colonial que ainda nos influencia”, esclarece.


SOBRE AS MULHERES


Para o professor Miguel Nenevé, a presença do homem no cenário das mudanças mundiais tem sido forjada em sua própria característica colonizadora. “O homem já é mais colonizador. Ele sai sozinho e tem a terra como mulher. Daí, por exemplo, o nome de America, como se fosse mulher de Américo Vespúcio. Lábrea no Amazonas, porque o colonizador era coronel Labre. Virginia, para dizer que a terra era virgem e homenageava “the virgin queen”, que era a Elizabeth I. Então o espírito colonizador já vai esquecendo a mulher. A mulher deve ser a colonizada, como a terra.


O professor explica que a postura masculina, propícia às descobertas, sugeriu, em parte, algumas características desses contextos históricos. Ele também lembra, para exemplificar, um poema de John Donne, no século XVII, que escreve um poema erótico pedindo para a mulher se despir e depois na segunda estrofe diz: “Oh minha América, minha nova terra a vista...minha mina de pedras preciosas”. Para ele, um bom exemplo de que a mulher era considerada uma colônia. “Aqui em Rondônia, em outro tempo, outra época, dá para ver uma associação com a colonização da America. O colonizador sai de outro lugar, geralmente homem, (muitas vezes vem antes da mulher) e vai “possuir” a terra, a mulher virgem, a colônia”.

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