• dasilva3001

A fraude que a poesia detecta nas ausências e vazios da palavra


Como bem definiu o poeta Binho, Rubens Vaz Cavalcante, em sua apresentação do livro “A Palavra Falta”, Eduardo Martins “sugou do mar e do mangue os versos malditos pernambucanos”. De fato, a poesia que “descia de bubuia pelo rio Capibaribe”, ainda na flagrante apresentação do poeta, construiu os fragmentos iniciais que potencializariam a irreverência de seu olhar por sobre os alicerces fraudulentos da realidade objetiva. Suas leituras de grandes mestres da inventividade poética, tais como Manuel Bandeira, deram um fôlego a mais em seu mergulho “pelas rupturas e fatalidades da poesia modernista”.


Esta é apenas uma entrevista e não tem a pretensão de explicar o poeta. Tampouco, a sua poesia. Nela, Eduardo Martins, que também é professor universitário, diz da sua inquietação com as transições e mobilidades que os processos produtivos literários permitem. De acordo com Martins, ao ser específico sobre o livro “A Palavra Falta”, seu último lançamento, é da ausência que essa discussão se ocupa. Segundo ele, o processo de construção do texto poético é complexo e tem que ser observado sobre os vazios e faltas que a própria palavra, “vozes mudas”, deslocam para presenças não detectáveis no plano da realidade objetiva.


As questões relativas à construção do poético são preocupações que Eduardo Martins evidencia em sua produção. E ele esclarece que o encantamento, o milagre que é a arte, precisa de um trabalho com a linguagem para atingir seu valor estético. O texto do poema título do livro “A Palavra Falta”, na visão do autor, traz a perspectiva dessa discussão do poético para o campo das palavras. E ele se pergunta: o que é esse processo de construção do texto literário? Especificamente, o que é esse processo de construção do poema? O que caracteriza um Manoel Bandeira que não caracteriza um Drummond? Suas respostas estão em sua produção. Além do livro em discussão, Martins tem outras obras anteriores que podem ser visitadas para uma reflexão mais aprofundada dessa temática.


Durante entrevista, Eduardo Martins também fez referências ao seu próximo trabalho, intitulado “Este Livro não Existe”, que, segundo o autor, também dá continuidade à discussão sobre as interrogações que um livro tem que propor. “O livro tem que provocar uma interrogação. Se a poesia é esse passe de mágica, esse alumbramento, mas ela precisa do processo reflexivo. Do contrário, ela fica lá, como diz João Cabral de Melo Neto, fechada, mesmo estando o livro aberto. Quer dizer, se o leitor não faz essas reflexões, o livro permanecerá fechado. As pessoas querem um fato. A poesia não é um fato”.


Poema título do livro


Palavras são vozes mudas

de faltas que não se ausentam

mas que de ausências se mudam

para outras faltas-presenças

por todos os lados são surdas

as palavras que se inventam

não do lado que se escuta

mas do outro que se pensa

aquele em que à palavra falta

seu espaço de ausência

não na lacuna do corpo

mas no que aí se inventa

como ausência há de ser oco

ou oco o que aí se pensa.











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